Tocando em Frente

Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais...

28 Julho 2007

Do limite de cada um. Parte 2

A Luciana escreveu um texto no seu blog que me lembrou algo que aconteceu comigo.

"Era um dia frio em São Paulo. Para completar ainda chovia e o trânsito estava todo parado. Dentro do carro, esperando um semáforo abrir, vejo um deficiente físico, numa cadeira de rodas precária, com o corpo todo retorcido e ensopado, vendendo balas. Fiquei penalizada com a situação do homem, mas como as balas eram do tipo horríveis, ofereci um real a ele e disse que não queria as balas. Ele então olhou para o meu dinheiro com desdém e no alto da sua integridade, que ultrapassava a altura da cadeira de rodas disse: Não to pedindo esmola, to trabalhando..."
Tome Glaucia...

Meu lado prático achou bobagem. Meu lado cidadão achou bonito.

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25 Julho 2007

Vestido Verde


Minha avó era uma ótima contadora de "causos". Um dos meus preferidos é a história do vestido verde que conto a seguir.
A moça era pobre e ele era seu primeiro namorado. Era um homem de posses e a moça era muito humilde. A mãe da moça com muito custo conseguiu fazer para ela um belo vestido verde. Mãos habilidosas capricharam em cada detalhe e apesar do tecido não ser lá grandes coisas, o vestido realmente ficou bonito. Só que era o único que a moça tinha...
Na primeira vez que a moça usou o vestido, ela viu os olhos apaixonados do namorado faiscarem hipnotizados. Na vez seguinte ele se limitou a dizer que ela continuava bonita e depois os comentários cessaram.
A moça já estava envergonhada, em ter que sair sempre com o mesmo vestido. Uma noite desanimada, sentada na cama, a moça olhava para o vestido verde. A mãe entrou no quarto e perguntou a razão daquele desanimo. O que o meu namorado vai pensar? - disse ela - Quando souber que eu só tenho um vestido? Com certeza irá me deixar!
A mãe teve uma idéia. - Façamos assim: toda vez que ele vier te buscar, eu mando ele sentar na sala. Então, você grita do quarto "mãe, que vestido eu ponho?" e eu te respondo "põe o verde minha filha, fica tão bonito em você..."
Foi o que mãe e filha fizeram, até que a moça pobre casou com o namorado rico, que lhe deu muitos e muitos vestidos.
Tenho usado a "técnica do vestido verde" em muitos momentos da minha vida: Quando não há opções, quando as dificuldades limitam nossas atitudes, quando precisamos causar uma boa impressão mesmo sem ter condições para isso, eu ainda ouço a voz da minha avó nos meus ouvidos: "Põe o verde minha filha, fica tão bonito em você!"

Foto Cores e Coisas

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18 Julho 2007

Menino



Para Thiago, que provavelmente nunca vai ler essas linhas...

O menino cresceu em abrigos, nunca soube o que era ter família. Desde pequeno já dava trabalho. Extrovertido, envolvente, liderava as principais rebeliões, provocava, atacava e depois se fazia de vítima. Acabou na cadeia, mas não ficou muito por lá. Assim, ia sendo expulso de abrigos, escolas e toda sorte de entidades, causando confusões por onde passava. Difícil é expulsar esse menino do nosso coração. Menino que brigava pela minoria. Uma vez assaltou a despensa da escola. Levou latas de brigadeiro e um abridor. Não foi longe. Sentou na esquina com a molecada que morava na rua e alí mesmo devoraram o brigadeiro, lambuzando a cara e rindo. " Se não me dá, eu tômo. Não fica regulando comida pra pivetada..." Menino que "corria pelo certo", como ele dizia, "mesmo quando se está do lado errado, dá pra fazer a coisa certa". Queria se presidente de ONG, só para ajudar a molecada da favela. Pra ensinar a molecada a fazer grafite ao invés de pichar. Ensinar a molecada a dançar hip hop e tirar o pessoal do crime. Mas ele tinha de ser o presidente, pra fazer tudo certo, do jeito dele. Seu primeiro emprego foi na área social, nada mais justo, claro. Arrumou lá mesmo, na casa que o ajudava. De assistido passou a ser educador. A casa queria dar uma força par ao menino. Ele bem que tentou, mas não entendia coisas estranhas, que as pessoas comuns pareciam aceitar com tanta facilidade. Porque as pessoas negam um prato de comida? Porque ninguém leva pra casa e arruma uma cama pra quem está dormindo na rua? Como pessoas que trabalham na área social batem cartão e vão embora pra casa, se tem ainda tanto pra se fazer? O menino era briguento, como educador tomava o partido da molecada. Conhecia de perto a realidade deles. Passava a noite nas baladas, dormia hora na rua, hora na casa de uma avó, que cismava em acordar o menino antes das 11 da manhã. Cedo demais pra quem passou a noite nas bocas. Um dia quase bateu na velha. Pra trabalhar tinha que se arrumar. Coisa dificil pra quem não tem banheiro em casa. Pentear o cabelo pra ele bastava, como exigir mais da molecada? Exigiam postura de educador para o menino. A raiva do menino aumentava. Tinha dia que tudo ia bem. Tinha dia que não dava. A balada tava cada vez mais forte. Cheirava, fumava, mas não queria essa vida. Quer dizer, as vezes queria... Em julho o menino sumiu, caiu na vida, perdeu o emprego. Não sei se foi bem nessa ordem. Perdemos o menino... que pena, ele ia ser presidente de uma ONG...

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05 Julho 2007

Segurar a mão do marido traz alívio imediato a mulheres.



Para quem gosta de Estatísticas...

· Aos 47 anos existem 3 mulheres sozinhas para cada homem solteiro.
· 60% das pessoas que entram em bibliotecas públicas são para beber água ou usar o banheiro
· Entre os paulistas, 34% não lêem com freqüência, 18% simplesmente não gostam de ler e 16% só lêem de vez em quando. 15% dos universitários nunca leram um livro não didático,
· Segurar a mão do marido traz alívio imediato a mulheres. O efeito pode ser comprovado no cérebro de esposas felizes
· A idade média da primeira relação sexual é 17,4. Na lista do uso do preservativo as mulheres são as que mais se previnem: 49,1%. Já os homens: 39,1%.O estudo também revelou que as classes "A" e "C" da sociedade usam menos preservativos: 36,5%. A classe média é a que mais se previne, 53,4%.
· As mulheres que estudam mais têm mais dificuldade de se casar. 56,8% das mulheres sem instrução estão casadas. No caso das mulheres com oito ou mais anos de estudo, este percentual cai para 45,6%.
· As separações judiciais e de divórcios aumentam 1,3% ao ano e os casamentos 3,6%. Entre as mulheres, a maior taxa de nupcialidade ocorre no grupo etário de 20 a 24 anos (29,8‰). Os homens tiveram taxa mais elevada entre 25 e 29 anos (31,3‰). Nos demais, as taxas para os homens são sistematicamente maiores; para os de 60 anos ou mais de idade, por exemplo, são de 3,3‰, enquanto que, para as mulheres da mesma faixa etária, são bastante inferior (0,8‰).
· A Secretaria Municipal da Educação constatou que, os alunos sofrem dos seguintes problemas que atrapalham seus estudos:
1) abaixo dos dois anos de idade, 54% têm anemia de ferro. Em média, até os sete anos de idade, a taxa é de 28%. Esse problema se traduz em cansaço crônico e dificuldade de concentração;
2) 20% apresentam algum tipo de verminose;
3) 10% têm deficiência visual;
4) 59% apresentam lesões bucais e cáries.
· 10 milhões de pessoas deixaram a classe média só entre 1980 e 2000. Em 1980, o percentual havia atingido exatos 31,7%. Desde então, houve uma queda contínua que levou essas famílias a se tornaram apenas 27,4% do total. Hoje esse número é ainda menor.
· Agora, se tudo nessa reportagem o irritou, cuidado! De acordo com a pesquisa feita pelo psiquiatra americano Redford Williams, os irritados crônicos têm sete vezes mais chances de sofrer um ataque cardíaco.

Resumo para as mulheres:
Se você for casada segure a mão do seu marido toda vez que tiver enxaqueca ou cólicas. É mais barato que a consulta médica e o alívio é imediato...
Se quiser casar, não estude. Mas se já estudou, já sabe que aos 47 anos terá que torcer para as duas concorrentes terem estudado mais do que você, o que aumentará consideravelmente as suas chances.
Se você foi aluna de escola pública deve ter tido anemia, vermes, deficiência visual e cáries, o que prejudicou seus estudos. Isso também aumenta as suas chances de já estar casada.
Se você for casada segure a mão do seu marido toda vez que tiver resfriados, pois o alívio é imediato...
Se não casou, você deve estar endossando a idade média de 17,5 para a primeira relação sexual. Se você é muito rica, ou muito pobre faça o teste do HIV com urgência, suas chances de estar contaminada são maiores. Se você faz parte da extinta classe média, você não precisa se preocupar, mas também você está extinta.
Se você não casou, preste atenção no número de divórcios. Se você casou, preste atenção no número de divórcios também.
Obs: Se você for casada, não se esqueça de segurar a mão do marido quanto torcer o pé, o alivio é imediato e é mais barato que a consulta médica.
Se você tem 60 anos e ainda não se casou, não adianta olhar para o sessentão que está ao seu lado. Procure jovens de 25 a 29 anos e você poderá aproveitar melhor os seus 0,8% de chances.
Se você não casou , estudou, é sexualmente ativa e de classe média, não adianta procurar marido em biblioteca já que o brasileiro não gosta de ler. Portanto visite a biblioteca do seu bairro apenas para usar o banheiro e beber água.
Ah! Eu já disse que se você for casada, não deve esquecer de segurar a mão do marido quando se queimar om o ferro, pois o alivio é imediato?

Ta irritada? Cuidado: os irritados crônicos têm sete vezes mais chances de sofrer um ataque cardíaco...

PS: Sally, obrigada pela foto...
Angela, obrigada por me lembrar das estatísticas... rsrsrsrsrs

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