Tocando em Frente

Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais...

19 Agosto 2007

Eu e o Empire State



Hoje assisti finalmente o filme King Kong. Digo finalmente porque já tentei vê-lo três vezes, cada uma delas pegando o filme em um pedaço diferente e hoje não foi diferente. Enfim, está visto! Note bem, que o King Kong que eu assisti é a versão de 2005 e não a de 1976. Enquanto sentia falta dos gritos de Jessica Lange, me lembrava do meu primeiro encontro com o Kong. Não foi através das telas do cinema e sim pela voz da minha avó que contava a história do pobre gorila apaixonado. Talvez pelo enfoque que minha avó dava ao contar a história, até hoje acho comovente a cena do macacão sentado no Empire State vendo o por do sol.
A simples visão do Empire State, imponente no alto dos 102 andares, para mim já é emocionante.Me lembro da minha primeira vez com o Edificio, como um caso de amor a primeira vista. Meus olhos brilhando e meu coração palpitando me levaram com as pernas bambas elevador acima. Nessa época ainda não tinha essa aversão a elevadores que tenho hoje, diga-se de passagem. Chovia, o que atrapalhava a vista no mirante, mas eu não olhava para fora, ao contrário, ao invés de me acotovelar junto aos curiosos por um espaço na janela, percorria meus olhares curiosos para o interior.
Buscava traços de Cary Grant e Deborah Kerr em cada pedacinho do lugar, por um momento eu estava em Tarde Demais para Esquecer. Os acordes da inesquecível trilha sonora soavam nas minhas lembranças e até hoje me pergunto: porque o Empire State não tem serviço de som ambiente? Vida deveria ter trilha sonora! Da primeira vez que cruzei a Ponte do Brooklin, ouvia New York New York na voz do "Velho Frank". Ninguém cantou tão bem a "Big Apple" como ele e nenhuma emoção foi tão grande para mim.
Mas, voltando ao Empire State e buscando emoções em cada canto, olho para o telescópio e quase procuro o urso de pelúcia esquecido em Sintonia de Amor. Por um instante, parece ser Meg Ryan a procura de Tom Hanks, que eu vejo por alí.
Nenhum Edíficio foi tão fotografado e tão filmado, em Manhattan como o Empire States. Com certeza esse breve post não faz justiça ao seu explendor, mas fala de uma nostalgia, com sabor de saudade apertada, embalada por filmes maravilhosos. Aproveitei a deixa do domingo preguiçoso e me pus a ver os dvds. Que delícia!

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07 Agosto 2007

Quando será que eu vou crescer?


Queria saber andar de salto agulha, 10cm pelo menos e equilibrar perfeitamente meus 1,67m, com graça e desenvoltura em cima de todos aqueles centímetros de sapato, sem me sentir uma girafa.
Queria gostar de um vinho que custasse 1000 dólares a rolha, ao invés de preferir um demi sec, um malbec ou um shiraz alguns zeros mais baratos e em moeda nacional.
Queria me apaixonar por um homem, só porque ele é gente boa e gosta de mim, ao invés de ficar buscando paixões desenfreadas e sinos tocando nos olhares dos desconhecidos.
Queria ter lido O Mundo de Sofia, ao invés de usá-lo como apoio para xícaras de chá, consumidas em horas a fio diante do computador.
Queria entender mais de política ao invés de fazer aquele olhar embasbacado cada vez que ouço sobre uma falcatrua dos nossos governantes.
Queria torcer o nariz para música ruim, para novela mexicana e para arte moderna, ao invés de sempre achar o lado bom dessas coisas.
Queria ser inteligente suficiente para agir com a cabeça e não com o coração, sabendo tirar proveito das situações e usando-as em meu benefício.
Queria ter aprendido a patinar no gelo, sem ter de me preocupar em não quebrar nenhum osso, porque tenho que trabalhar no dia seguinte.
Queria ter aprendido receitas, que só algumas pessoas sabiam e hoje não estão mais entre nós, para poder sentir novamente o sabor e o aroma inconfundíveis, que estão tão vivos dentro de mim.
Queria ter mais medo da morte e mais amor a vida, achando que essa é a última oportunidade e não apenas uma passagem.
Queria me exercitar mais, achando graça em academias, ou em praticar algum esporte, ao invés de preferir cinema e teatro.
Queria gostar de comida saudável, sanduíches naturais e carne branca, ao invés de preferir chopp e batata frita.
Queria gostar menos de moto e não ter tanta saudade de sentir o vento batendo no rosto, os cabelos embaraçando, o suor descendo e o cheiro de estrada nas narinas.
Queria saber nadar, ao invés de gritar toda vez que a onda bate acima do meu joelho. E queria colocar a cabeça dentro d’agua na piscina e subir na bóia sem ter medo dela virar.
Finalmente: Queria ser um pouco mais adulta e mais velha. Para que fosse mais sábia e menos criança. Para que me contentasse com menos e não sonhasse tanto. Para que admitisse com mais facilidade ouvir os “nãos” da vida. Para que parasse de buscar coisas que só eu acredito. Para que não sofresse tanto com aquilo que não posso mudar.
Quando será que eu vou crescer?.

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